INFORMAÇÃO SUMÁRIA

 

Padroeiro: S. Martinho.

Habitantes: 1.235 habitantes (I.N.E. 2011) e 1.275 eleitores em 05-06-2011.

Sectores laborais: Agricultura, pecuária e apicultura.

Tradições festivas: Santo António, S. José e Senhora do Rosário  no último domingo de Abril e S. Martinho, no dia 11 de Novembro.

Valores Patrimoniais e aspectos turísticos: Igreja Paroquial, capelas de S. Miguel e da Senhora da Misericórdia, Centro Cívico, moinhos, azenhas, Parque Eólico e Núcleo Museológico do Pão.

Gastronomia: Sarrabulho.

Colectividades: Centro Desportivo e Cultural de Outeiro, Orquestra Ligeira Sopro de Cordas do Outeiro (Grupo de Cavaquinhos), Associação de Garranos e Barrosã da serra de Santa Luzia, Associação de Caçadores de Outeiro.

 

 

ASPECTOS GEOGRÁFICOS

 

A Freguesia de Outeiro situa-se a cerca de 7 Km a Norte da cidade de Viana do Castelo e ocupa uma área de 18, 830 Km2, que se estende ao longo de um vale entre os montados da Aguieira e o maciço montanhoso que desce da serra de Arga a Santa Luzia, e desde a Freguesia de Perre aos limites de Freixieiro de Soutelo.

Tem confrontações com a Freguesia de Perre, a Sul e Nascente; Perre, Nogueira e Amonde, a Nascente; Soutelo, a Norte e Poente; Afife, a Poente; e Carreço, Areosa e Perre, a Sul.

Conta actualmente (2008), uma população de 1271 habitantes, distribuídos pelos lugares de Valadares, Costa, Vilares e Mezieiro, acima da Igreja Paroquial, e de Outeirinho, Paço, Rocha, Ramalhão e Alem do Rio, abaixo da Igreja.

É atravessada por um ribeiro, oficialmente denominado rio das Carvalheiras, que, no seu percurso, forma, aqui e além, levadas, como a do Fulão e da Veiga, onde se represava a água, que dantes era desviada para mover moinhos e azenhas ou para a rega e lima dos campos.

 

RESENHA HISTÓRICA 

 

O documento mais antigo, até hoje conhecido, em que aparece o nome de Outeiro data de 961. O topónimo

provém da palavra latina Altariu, que significa altar e evoluiu através das formas intermédias autairo e auteiro até à forma actual.

  1. Martinho de Outeiro foi um couto doado pelo rei D. Afonso Henriques, em 1176, ao mosteiro de S. Salvador da Torre. Nele se acham as suas confrontações, que partiam do porto de Doneita, subiam pela Pedra Redonda até ao Castelo de Formigoso e dali até Valadares, Parámio, e Anta, seguiam pelo castro de Aredelo, desciam pela portela de Castro Mau, corriam águas vertentes sobre Omizieiro, Mamoa Lousada, porto de Freixeno e fechavam o circuito no ponto de partida, ou seja, em Doneita (ali por Samonde e Santa Marta).

Conclui-se, por estes limites, que Outeiro era uma região extraordinariamente castreja nos perímetros, como Formigoso, Valadares, Aredelo e Castro Mau.

Gozando dos privilégios das terras coutadas, Outeiro, em contrapartida, devia acolher no seu seio os frades doentes do mosteiro de S. Salvador da Torre, local insalubre, para aqui recuperarem a saúde. Outeiro tinha a fama e o proveito de ter águas salutares, ares puros e locais aprazíveis para descanso, como seria o Parámio ou Amádigo, entre Valadares e Anta.

Que Outeiro era um Couto confirma-se com um velho pergaminho existente na Biblioteca Pública de Viana, que inclui a resposta a uma petição feita ao rei D. Duarte pelos homens bons de Viana para que lhes mandasse o “treslado”, isto é, a cópia exacta, em pública forma, do que respeitasse a Viana da Foz do Lima. Refere-se às Inquirições mandadas fazer, em 1258, pelo rei D. Afonso III, donde consta que as individualidades ouvidas declararam que na colação de S. Martinho de Outeiro o rei não era patrono da Igreja e que não lhe pagava nenhum foro e era couto por padrões. Disseram ainda que Valadares não ficava dentro deste couto e era terra devassa, da qual se apossou S. Salvador da Torre e, desde então, não pagou nem pagava foro ao rei, como antes costumava fazer.

Um documento de 1320 diz-nos que S. Martinho de Outeiro tinha de pagar a taxa de 100 libras ao rei D. Dinis, e outro, redigido entre os anos de 1512 e 1514, informa-nos que a Igreja de S. Martinho de Outeiro, incluída na comarca de Valença, rendia 50 mil réis para o Arcebispado de Braga.

O Tombo da Igreja de Outeiro, com data de 1540, regista para a Freguesia de Outeiro limites que, curiosamente, coincidem com os actuais, embora com diferentes palavras. Nele se lê que o seu limite “partia padrões, que estavam postos pollos montes e marquados de cruzes, da bamda do sull com a freigezia de Sam Migell de Pere e da bamda do norte partiam per padrõess que estamnos montes pollos Rabaços e Pedra do Eixo e daly huam ate a Paradela augoas bertentes como esta demarcado per padrõens, e da bamda do lebante e poente partia pollos montes, a saber, do levante polla Agieira e do poente pollo momte Tarugo augoas bertentes”.

Note-se que o conjunto montanhos que se alonga desde a serra de Arga a Santa Luzia era designado por Tarugo, aparecendo também as formas Terruge e Carujo.

Em 1561, o núncio apostólico em Portugal anexou a paróquia de S. Martinho de Outeiro ao mosteiro de S. Bento, de Viana, por um período de 80 anos. As freiras passaram a ter o direito de receber os dízimos e de apresentar um pároco colado de sua escolha, que apenas recebia uma côngrua anual de 10 mil réis, podendo o benefício render-lhe uma soma de 120 mil réis anuais.

Este direito foi-lhe contestado posteriormente por um vigário que, recorrendo ao Papa, conseguiu o seu intento. As freiras reagiram e, para poderem continuar a usufrui-lo, algumas vieram habitar a residência paroquial de Outeiro.

As “Memórias Paroquiais, de 1758, informam-nos que Outeiro pertencia ao Arcebispado de Braga Primaz das Espanhas, comarca de Valença, na jurisdição eclesiástica, e à de Viana, na jurisdição secular. Que era terra de el-rei e se compunha de 170 vizinhos, tendo estes em si 800 pessoas.

José Augusto Vieira, no seu livrio “O Minho Pitoresco”, editado em 1886, deixou escrito que Outeiro, “terra fértil e com a indústria de criação de gados bastante desenvolvida é sobremaneira pitoresca, apesar de encravada entre montanhas; dão uma nota agradável à sua paisagem os lugarejos em que se subdivide. Os seus habitantes são de carácter afável, trabalhadores e submissos e a sua principal riqueza consiste na cultura da vinha, do milho e na produção do mel. A colheita vinícola é por sem dúvida a mais importante A romaria de mais nome é a da Virgem do Rosário.

Presentemente, a actividade agrícola quase se reduz à cultura de produtos hortícolas e árvores de fruto nos quintais anexos às casas de habitação, e numerosos esteios, desenvencilhados das videiras, já não sustêm vinhedos que, há menos de meio século ainda bordejavam as leiras e recobriam os caminhos.

Mas Outeiro não estagnou. Apenas se transformou e alindou mais o rosto.

Quem à freguesia se dirigir, ou pela antiga estrada 302, ou pela A28, e nela entrar pelo nó de Mezieiro, logrará o prazer de atravessar cada um dos seus 9 lugares por largas e bem pavimentadas estradas e desviar-se por caminhos rurais também alargados e beneficiados, graças à cedência gratuita de terrenos confinantes pelos seus proprietários e à previdente, diligente e eficiente gestão autárquica. Os visitantes apreciarão a hospitalidade acolhedora das pessoas e o seu diferente parque habitacional, a contrastar com as típicas casas dos avoengos, de que restam ainda vestígios.

Depois, vão até ao centro Cívico, onde se concentram, num belo conjunto, a nova Sede da Junta de Freguesia, o amplo Salão de Festas com a bem apetrechada cozinha anexa, o Polidesportivo e a moderna Escola do 1º Ciclo e Jardim Infantil, com serviço de cantina e transporte de alunos.

Desçam até à Igreja Paroquial, passando pelo antigo Cruzeiro e pelas represas de água, e admirem nela os altares de talha doirada. Continuem a descer até ao Museu do Pão, sedeado na antiga escola de Além do Rio, detenham-se a observar a exposição de alfaias agrícolas, assistam ao fabrico do bolo e da broa, saboreiem este pão caseiro com mel e outros petiscos, bebam o verdasco do Outeiro e vão até à azenha do Maral ver a moagem do milho, de que sai a farinha para ser amassada por mãos hábeis de artesão, introduzida no forno aquecido a lenha e, finalmente, ser pão, broa ou bolo, apetecíveis de comer.

No aspecto cultural, Outeiro tem uma escola de Música, um Rancho Folclórico e o Centro Desportivo e Cultural de Outeiro (Cedeco) em actividade.

Duas associações merecem ser destacadas: – A Associação de Caçadores de Outeiro de S. Martinho, com sede no lugar de Outeirinho, e a Associação Garranos e Gado Barrosã de Santa Luzia, com sede na antiga escola primária de Valadares.

Viva Outeiro e a sua gente!

Ainda, acerca da história desta freguesia, podemos ler o que nos informa na integra o livro Inventário Colectivo dos Arquivos Paroquiais vol. II Norte Arquivos Nacionais/Torre do Tombo: «A primeira referência conhecida a esta freguesia remonta ao século X, Outeiro era então, um lugar da freguesia de Valadares.

Data de 1176 uma carta de couto passada pelo rei D. Afonso Henriques a favor do mosteiro de São Salvador da Torre, para que, de futuro, os religiosos enfermos ali pudessem ir convalescer.

Todavia, na opinião do Padre Doutor Avelino Jesus da Costa, o aludido documento tratar-se-á de uma falsificação do século XII ou XIII.

Em 1258, na lista das igrejas de Entre Lima e Minho, elaborada por ocasião das Inquirições de D. Afoso III, São Martinho de Outeiro é citada como uma das igrejas pertencentes ao bispado de Tui. No catálogo daquelas igrejas, mandado elaborar, em 1320, pelo rei D. Dinis, foi taxada em 100 libras.

Em 1444, as terras de Vinha passaram para o bispado de Ceuta, onde se mantiveram até ao ano de 1512.

Neste ano, o arcebispo de Braga, D. Diogo de Sousa, deu a D. Henrique, bispo de Ceuta, a comarca eclesiástica de Olivença, recebendo em troca a de Valença do Minho. Em 1513, o papa Leão X aprovou a permuta.

No Memorial do vigário Rui Fagundes, que foi feito em 1546, no arcebispado de D. Manuel de Sousa, enquadrava-se na Terra de Viana, rendendo 50 mil réis. O Censual de D. Frei Baltasar Limpo, na cópia de 1580, utilizada pelo Padre Avelino J. da Costa no seu livro “A Comarca Eclesiástica de Valença do Minho”, refere que São Martinho fora unida pelo Núncio Montepulchamo ao mosteiro de freiras de São Bento de Viana do Castelo por 80 anos, no ano de 1561. Segundo Pinho Leal, as freiras beneditinas de Viana apresentavam o vigário colado, que tinha 120 mil réis de rendimento.

No foro administrativo, fez parte, em 1839, da comarca de Ponte de Lima e, em 1852, da de Viana do Castelo».

( Fontes consultadas: Primeira parte do texto foi elaborado pela Junta de Freguesia  e a seguinte foi transcrita do Inventário Colectivo dos Arquivos Paroquiais vol. II Norte Arquivos Nacionais/Torre do Tombo).

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